HOBBYECTS
para o consumidor emancipado
made by you know-how sobre low-tech, de workshops DIY a textos de investigação

Workshops DIY
DO PARAFUSO AO TERRITÓRIO

INTRODUÇÃO

A oportunidade do DIY hoje é proporcional à sua crescente desadequação à ramificante sociedade de consumo.
Desde tempos imemoriais que o Homem construiu os objectos das suas necessidades. Progressivamente, estas necessidades foram sendo supridas por especialistas, tendo a História e a sua historiografia enquadrado esta evolução como consciência civilizacional das vantagens sedentárias da especialização, da acumulação e do comércio.
No entanto, nas últimas décadas do século XX, após o esvaziamento pos-moderno do traço da História, foram desenhados espremedores de limões que não funcionavam e o excessivo começou a revelar a sua falta de base. Simultaneamente, cresceu a necessidade de cultivar a sua própria laranjeira e de tomar nas mãos de novo o seu fruto.

OBJECTIVOS
Sensibilizar os alunos para as potencialidades que existem na redundância e no excedente de forma a pensar e construir máquinas analógicas simples.
Aqui, a redundância refere-se a um produto consciente da sociedade contemporânea que se exprime em conhecimentos, infraestruturas, artefactos e território.

COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR
- Distinguir, entre os objectos do dia-a-dia, a sua componente de necessidade social e aqueles cuja necessidade é construída mediaticamente.
- Ganhar a capacidade de reconhecer entre os materiais remanescentes e obsoletos as suas qualidades construtivas.
- Perceber a estrutura de máquinas analógicas simples, de forma a deduzir o funcionamento do espaço envolvente.
- Aprender a construir máquinas analógicas simples.
- Descobrir a capacidade inata de construir um abrigo (Workshops em Residências).
- Estimular a serendipidade i.e., a capacidade de descobrir aquilo que não se estava à procura mas que depois se revela adequado.

TEMAS TEÓRICOS ABORDADOS (do parafuso ao território)
- Enquadramento sociológico e económico para a oportunidade da auto-suficiência.
- Noções estatísticas do desperdício.
- Estimulação da criatividade através do cruzamento de padrões.
- Sistematização dos materiais vernaculares contemporâneos.
- Genius loci e corpus loci (onde acaba a pele e começam as sensações).
- História das comunidades autónomas desde a Revolução Francesa.
- Jargão da autonomia.
- História da Intermediate Technology, Appropriate Technology, DIY e Upcycling.
- Design Open Source.

METODOLOGIA
NO EXTERIOR: CONFRONTO PERIPATÉTICO E HEURÍSTICO

Os primeiros passos serão dados a caminhar, conversar e levar a deduzir.
Caminhar pelos limites, linhas de divisão,
ir passear para a margem de um rio, apanhar paus e pedras
e garrafas de plástico e uma caixa vermelha.
Entre as propriedades agrícolas,
de encontro às redes acumulam-se os sacos e os baraços azuis.
Ir a pé por uma estrada,
recolher maços de tabaco e mais garrafas de plástico,
e se tiver casas também se encontram mais excedentes nas proximidades,
garrafas de vidro, restos de camas e frigoríficos.
Sobre a mesma estrada mas já na periferia da urbe
há despejos de entulho com mosaicos inteiros.
Na cidade, nos melhores sítios encontramos mobília e colchões.
Vamos a uma sucata (verdadeiro repositório destes materiais)
e podemos encontrar as máquinas de lavar roupa inteiras, novas
ou já desmanchadas nas suas componentes valiosas
(tambor, pedra, poli, dínamo, motor…).

Já no espaço de debate e construção, numa sala ou debaixo de uma árvore sobre a relva, far-se-ão vários exercícios:
- eu lanço desafios para completar com os materiais disponíveis
- os alunos sugerem funções para os mesmos materiais
O objectivo é o de:
- construir máquinas de funcionamento analógico
- construir sistemas para produzir electricidade
Em Workshops sobre madeira, descobrir a sua humanidade, a sua vida e crescimento, os seus benefícios e o imenso conhecimento que transporta.
 


MATERIAIS

Os materias utilizados terão três proveniências:
- providenciados por mim
- trazidos pelos alunos
- reunidos durante o passeio
Referirão vários grupos para diferentes aplicações:
- Cruzetas de arame, abraçadeiras de espigão, frascos, conectores eléctricos, escorredores de legumes, molas de roupa, peças de Lego, clips, caixas de cartão...
- Pendulos, rolamentos, molas metálicas, ratoeiras...
- Arames, cordas, parafusos, porcas
- Dínamos (para Workshops de produção de electricidade), caixas de Pringles (para Workshops de construção de amplificadores WiFi)
- Andaimes, cofragens (para Residências de construção de abrigo)
Os materiais serão enquadrados dentro da sistematização dos materiais vernaculares contemporâneos.

FERRAMENTAS
As ferramentas serão divididas entre aquelas não-eléctricas e as eléctricas.
- Berbequim manual, alicate, chave de parafusos, martelo, serrote, luvas. (a trazer por cada aluno)
- Berbequim eléctrico, serra circular (para Workshops de madeira).
Será estimulado o tema da construção das próprias ferramentas.

DESENHO À MÃO
- Exercícios de desenho sobre máquinas analógicas simples (espelhos, roldanas, sistemas elevatórios), de modo a compreender a função prospectiva do desenho.
- Exercícios de desenho sobre situações de tensão (molas, lages em consola, grandes diferenças de profundidade de campo ou de brilho…), visando relevar aquilo que é aparente na percepção.
- Exercícios de desenho sobre figuras abstractas (linhas, tracejados, manchas, cruzes, círculos envolventes…), visando praticar a reflexão e a comunicação de conceitos não-figurativos. Estes últimos exercícios terão a forma de conversas desenhadas.

DURAÇÃO
De uma manhã a um dia inteiro (salvo Residências).

RESIDÊNCIAS
Em Workshops em formato de residência (de vários dias), será abordada uma questão de outra escala física e temporal: o habitar.
Aqui, serão observadas a função de abrigo, de captação e gestão da água, de limpeza da água e de saneamento, o cultivo de uma horta, a produção de energia eléctrica e a amplificação do sinal WiFi.

NÚMERO DE ALUNOS
De quatro a dezasseis.

IDADES
Estas são matérias cuja sensibilização deve ser feita desde a nascença; no entanto serão aqui ministradas a alunos a partir dos doze anos.
Qualquer um dos seus conteúdos é inteligível desde essas idades.
Não existirão diferenças na abordagem dos temas entre as idades, apenas o seu aprofundamento dependerá de cada aluno em cada contexto.




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